uma piada (leunig)

chapiscado de atividades extracurriculares...
tive hoje a minha primeira aula de forró... investimento seguro, asseguram.
... eu não me arrependo! tropecei nos primeiros passos, confuso ainda com o ritmo, mas a professorinha, um encanto, a paulinha, veio ao meu socorro: ensaiei os tropeços, disse. queria uma chance de mostrar o que sei. ela não me levou muito a sério, o que até anima, pois o que se segue – movimentos inéditos na academia do senhor welton – todos pararam pra ver: ficamos eu, a batida, paulinha... coitada da paulinha... de esmagamento a torção, rolou de tudo, e a moça, muito simpática, com um belo sorriso tudo suportou. as monitoras também se arriscaram, prestativas... cuidei muito bem de todas elas, ou, como disse a ruiva: você deu o seu o melhor!
... agradecido, moça. foi ótimo.
vou praticar e amanhã volto a atacar...
ainda eu,
fausto
3
... e você, o que acha?
não sei se vai ao encontro dos interesses do blog, mas, como também não sei que interesses seriam esses (*entreter, espero), segue uma nova série... uma piada:
quem é que inventa essas coisas, afinal? quem compôs atirei o pau no gato? quem definiu as regras da amarelinha?
ainda eu,
fausto
1 ... e você, o que acha?
"though we rush ahead to save our time/ we are only what we feel"
não que o meu emprego seja assim ruim… pra dizer a verdade, até que é bom, o serviço público... mas longe de ser ótimo... e contrário ao ideal. i just don’t fit in, if you know what i mean…
pois é… acho que não me encaixo... inda mais agora, com o cabelo grande, sem penteado, um all star surrado, e uma tatuagem enorme no braço, ombro, peito, costas! tudo planejado, claro, uma conquista... que o governo não pode absorver.
foi quando me flagrei pensando sobre o que gostaria de ser. um espanto, pensando bem!
hoje, quero viver de fotografia... não estou ainda satisfeito com as fotos, verdade, mas contente fotografando... e com muitas idéias...
quero retomar os meus planos de viagem... conhecer o méxico, cuba...
quero escrever algo de que possa me orgulhar... colocar experiência no papel, servir de exemplo, mesmo que apenas para mim mesmo.
quero me arranjar... uma mulher pura e sexy a um tempo... e quero três filhos, um menino e duas meninas – um casal e a caçulinha.
quero também um cãozinho esperto, cheio de energia, que se divirta divertindo as crianças.
quero tempo para os meus livros, meus discos...
e quero um carro velho pra me dar trabalho... um camaro, um charger ou mesmo um fusquinha... além de um carro novo, claro, pra facilitar a vida...
.
.
.
é isso ou comprar uma moto usada e partir pra drogas mais pesadas...
ainda eu,
fausto
3
... e você, o que acha?
não posso fechar os olhos
ensejo único, resto
incerto, tenho medo do que quero
perceber em nosso tempo
o tempo pouco que me resta
e me pergunto, moribundo
se te adoeço
como você me adoece
não tarda passar, porém
como um sorriso bobo
no rosto estampado
a sensação de desejar
e ser indesejável
.
.
.
pois que o ensejo, creio
esse além da dúvida
e com os olhos baixos
imagino-os já fechados
ainda eu,
fausto
3
... e você, o que acha?
as venturas e desventuras de um lobista da indústria tabagista...
de jason reitman, com aaron eckhart, william h. macy, katie holmes e robert duvall...
(1) inteligente, (2) divertido, (3) inofensivo.
tópico original: nova escala
ainda eu,
fausto
1 ... e você, o que acha?
com base na vida do inglês joseph merrick (john merrick no filme), supostamente vítima de uma variação severa da síndrome de proteus, órfão, explorado num circo de aberrações...
de david lynch, com anthony hopkins, john hurt e anne bancroft...
ainda eu,
fausto
6
... e você, o que acha?
romance entre homem nonagenário, que descobre não ter ainda amado, e adolescente virgem...
de gabriel garcía márquez...
“... beijei-a por todo o corpo até ficar sem respiração: a espinha dorsal, vértebra por vértebra, até as nádegas lânguidas, o lado da pinta, o de seu coração inesgotável. à medida que a beijava aumentava o calor de seu corpo e ela exalava uma fragrância de montanha. ela me respondeu com vibrações novas em cada polegada de sua pele, e em cada uma encontrei um calor diferente, um sabor próprio, um gemido novo...
(...)
a falta de sossego acabou com o rigor dos meus dias. acordava às cinco, mas ficava na penumbra do quarto imaginando delgadina em sua vida irreal de acordar os irmãos, vesti-los para a escola, servir o café da manhã, se houvesse o que pôr na mesa, e atravessar a cidade de bicicleta para cumprir a pena de pregar botões. e me perguntei assombrado: em que pensa uma mulher enquanto prega um botão? pensava em mim? ela também procurava rosa cabarcas para me achar? passei uma semana inteira sem tirar o macacão de mecânico nem de dia nem de noite, sem tomar banho, sem fazer a barba, sem escovar os dentes, porque o amor me mostrou tarde demais que a gente se arruma para alguém, se veste e se perfuma para alguém, e eu nunca tinha tido para quem.
(...)
havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. naquela tarde, de regresso para casa outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. e também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego...”
.
.
.
(1) simples, (2) leve, (3) adocicado.
... lembra chá de camomila, apesar do burburinho típico de fim de história.
tópico original: nova escala
ainda eu,
fausto
2
... e você, o que acha?
“por que estás ao longe, senhor? por que te escondes nos tempos de angústia?”
de olhos fechados, encolhido, percebe a senhora, essa sem opções, mordiscar sua orelha às seis e trinta de uma quarta-feira, dia útil.
o banho frio – um hábito – é saudável, ouviu dizer, e barato... desperta.
a primeira refeição, junto à família, é suficiente, faz crer. a esposa e as filhas, duas, gêmeas, o cercam de cuidados, reconhecem o seu valor... o beijo doce, suavemente apaixonado, lembra a razão do trabalho...
.
.
.
frederico é mais ou menos inteligente; mais ou menos charmoso; mais ou menos seguro; mais ou menos crível... o que mais ou menos desperta interesse é o conjunto: a família, a casa, a ordem. frederico orgulha-se da ordem, e mais ainda os seus...
.
.
.
... ah! o esportivo também é motivo de orgulho: um camaro 74, em dois restaurado, que gosta de passear em dias de clima agradável...
... um par de quilômetros, apenas, até o escritório, e o carro, afinado, roda macio. problemático é o trânsito, de autos, não autos e transeuntes...
... frederico, por hora, deve superar o alternativo, anda não anda a um canto do pavimento... e não vê, não poderia ter visto o pedestre que corre de um lado para outro...
... a ordem! amava a ordem... mas para, então, e leva as mãos à fronte, ao que os segundos ganham peso, e o ar, denso, agora, enfraquece tudo e todos...
... liberta-se, porém, sem mais nem aquela, e deixa o local do crime, arrancando com violência o v8... olhos abertos, verdadeiramente abertos.... afasta-se, segue... e o casal que espera o coletivo não espera, não tem chance contra o clássico que avança sobre o passeio, arrastando mulher e homem... uma manobra instintiva, necessária... frederico precisa voltar...
... e encontra ainda um cachorro vadio, mas não discrimina, tampouco o velho camaro...
...e a cerca baixa, recentemente caiada... frederico costumava, sempre, apreciar o próprio trabalho. hoje, não...
... a esposa percebe, claro, que algo não está certo, mas não sabe dizer o que há. frederico a toma nos braços e acalma os seus lábios com um beijo displicente. não é suficiente, sempre tão evidente, mas não incomoda, o ruído das questões.
o quarto, preparado, recebe frederico sem queixas... lençol esticado; cortina limpa, aberta; o tapete, um outro leito... mudo, o criado, esse frederico procura... uma pistola 765, seu pente e balas 7,65mm.
a melhor parte, atônita, repreende, um tanto auto-indulgente, evidentemente... mas miranda abandona o que há, inconsciente, embora convencido de sua realidade, e parte, feito uma besta, rumo ao que julga sincero, certo.
em casa, um conterrâneo próximo, esse abre a porta sorridente, oferecido... e frederico se irrita com a volatilidade das feições... o vizinho, temeroso, foge, procura abrigo.
a polícia, eficiente, prudentemente coberta, jaz no flanco seguro da viatura... um tiro, dois... fred miranda, no jardim de casa alheia, cai, satisfeito... ante o homem, o medo de ser e a ordem... morre, então, vítima de um próprio critério, frederico, falho. um exagero da realidade, verdade, conquanto sensível como o medo de enlouquecer.
ainda eu,
fausto
2
... e você, o que acha?
gostar ou não gostar é algo subjetivo. difícil dizer e ser compreendido; difícil compreender assim, apenas de ouvido. se um diz, gosto, escuta logo um, problema seu... isso não me diz coisa alguma. alguém pode discordar, encontrar alguém que concorde – falo do ponto de vista e não da teoria. de qualquer forma, concordando, há de ser por critérios outros, pois tem interesses outros, é diferente, único. entende? certamente, sim – falo da teoria e não do ponto de vista. gostar é complicado!
avaliar não é complicado. avaliar é simples, existe método! e quem conhece o método? quem avalia, é claro!!! e esse tem o hábito de se expressar com estrelas: uma estrela é ruim; cinco, excelente. alguns, meticulosos, agregam à já complexa escala o peru, ou turkey... peru é nada, menor que estrela, diz ainda menos.
insatisfeito com a escala de peru e estrelas, proponho uma nova: a escala de adjetivos. não adjetivos do tipo ruim e excelente, cúmplices da escala antiga, mas algo mais significativo... o fabuloso destino de amélie poulain, de jean-pierre jeunet, por exemplo, é um filme colorido. dorian, de johann sebastian bach, por sua vez, uma composição impetuosa...
.
.
.
para abrir a série, o último filme de que fui testemunha: notas sobre um escândalo (2006), de richard eyre, com judi dench e cate blanchett...
ainda eu,
fausto
3
... e você, o que acha?